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Gestão Financeira

Vale a pena terceirizar o financeiro da minha empresa?

Depende do tamanho da operação e de quanto tempo do dono está indo para conta a pagar e conciliação. Os sinais de que chegou a hora, o que a terceirização entrega, o que ela custa e quando ela não faz sentido.

Por Marlon Paulo, sócio-proprietário e contador, CRC-SP 1SP358890/O-8Publicado em

8 min de leitura

Resposta direta

Vale a pena terceirizar o financeiro quando o dono passa o dia pagando boleto e cobrando cliente, quando já houve multa por atraso ou pagamento duplicado, e quando a empresa fatura bem sem saber a margem. O BPO financeiro assume contas a pagar e a receber, conciliação, fluxo de caixa projetado e DRE gerencial. Não vale quando a operação é pequena ou quando o dono quer terceirizar para não olhar o número.

Terceirizar o financeiro, ou contratar um BPO financeiro, é entregar a rotina de contas a pagar, contas a receber, conciliação e relatórios para uma equipe externa. A pergunta que o empresário faz é se vale a pena. A resposta honesta é: para algumas empresas, muito; para outras, ainda não.

O que é BPO financeiro

BPO é a sigla de terceirização de processos de negócio. No financeiro, significa que uma equipe de fora executa a rotina que hoje é do dono ou de alguém da empresa: agenda de pagamentos, cobrança, conciliação de banco e cartão, provisão de impostos e encargos, e os relatórios do mês.

A decisão continua sendo do dono. O BPO organiza, executa e mostra o número; quem aprova pagamento, define retirada e decide preço é o empresário. Essa fronteira é o que separa um BPO bom de um caixa dois terceirizado.

Os sinais de que chegou a hora

  • O dono passa parte do dia pagando boleto, conferindo extrato e cobrando cliente, em vez de vender e gerir.
  • O financeiro é feito por alguém que acumula outra função (recepção, vendas, o próprio sócio) e atrasa nas semanas cheias.
  • Já houve multa por pagamento atrasado, pagamento duplicado ou cliente inadimplente que ninguém cobrou.
  • A empresa fatura bem, mas o dono não sabe dizer a margem nem quanto pode retirar.
  • O contador pede documentos que ninguém acha, e o fechamento contábil atrasa por falta de conciliação.

Se três desses sinais aparecem, a operação já cresceu além do controle que existe. O sintoma mais comum está descrito em faturo bem, mas não sobra dinheiro.

O que a terceirização entrega

  • Contas a pagar organizadas, com aprovação do dono e execução da equipe.
  • Contas a receber com rotina de cobrança, sem depender da memória de ninguém.
  • Conciliação de banco, cartão, PIX e boleto todo mês, sem diferença em aberto.
  • Fluxo de caixa projetado, que avisa antes de faltar.
  • DRE gerencial com a margem por produto, serviço ou canal, na estrutura da Lei 6.404/1976, art. 187, aberta por linha.
  • Uma reunião mensal em que o número é explicado por quem o produziu.
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BPO financeiro e contabilidade são coisas diferentes

A contabilidade registra o que aconteceu e cumpre a obrigação: escrituração, balanço, apuração de imposto, guias, declarações. O BPO financeiro cuida do dinheiro enquanto ele acontece: quem paga, quem recebe, o que vence, quanto sobra. Um não substitui o outro.

Contabilidade BPO financeiro
Olha para o passado, para registrar e declarar o presente e os próximos 90 dias
Entrega balanço, apuração e guias de imposto, obrigações acessórias contas a pagar e a receber, conciliação, fluxo de caixa, DRE gerencial
Responde ao Fisco e à legislação ao dono, para decidir
Frequência mensal e anual diária e semanal, com fechamento mensal
Quem assina contador com CRC a equipe financeira, com o contador por trás

Quando o BPO fica no mesmo escritório que faz a contabilidade, o relatório gerencial e o fiscal passam a bater. O empresário para de receber dois números que não conversam, e o fechamento contábil deixa de atrasar por falta de conciliação.

Os riscos, e como eles se protegem

Terceirizar o financeiro é dar acesso ao dinheiro. O risco real está em três pontos, e cada um tem uma proteção que precisa estar no contrato:

  • Pagamento sem controle: alçada de aprovação definida (o que a equipe paga sozinha e o que exige o dono), com registro de quem aprovou.
  • Acesso ao banco: perfil de operador com limite, sem senha compartilhada, e conciliação que fecha todo mês e denuncia qualquer diferença.
  • Dependência: sistema e dados da empresa, não do prestador. Se o contrato acabar, a rotina continua com outra pessoa.
Atenção: BPO que paga sem alçada e não concilia é o cenário em que a terceirização vira problema. Antes de assinar, peça por escrito quem aprova o quê, até qual valor, e como a conciliação é entregue todo mês.

O que custa

Em geral, menos que um funcionário dedicado com encargos, e sem férias, afastamento ou rotatividade. O valor depende do volume de movimentação, do número de contas e do que a empresa já tem de sistema. Ele é definido depois de um diagnóstico, não por tabela.

Fale com o contador da MP sobre o financeiro da sua empresa

Quando não vale a pena

  • A operação é pequena, com poucas transações por mês, e o dono dá conta com um controle simples.
  • A empresa não tem processo nenhum e ainda precisa organizar o básico antes de delegar.
  • O dono quer terceirizar para não olhar o financeiro. O BPO executa a rotina, mas a decisão continua sendo dele: e ele precisa querer ver o número.

Nesses casos o escritório diz que não, e costuma indicar o que organizar primeiro: conta separada, pró-labore fixo e um fluxo de caixa de 60 dias. Quando isso existe, a conversa sobre BPO volta com base.

O que perguntar antes de contratar

  • Quem aprova os pagamentos e até qual valor?
  • Qual sistema será usado, e preciso trocar o meu?
  • Que relatório recebo, com que frequência e quem explica?
  • Como o BPO conversa com a contabilidade?
  • O que acontece com os dados e a rotina se o contrato acabar?
Dica da MP: peça para ver um relatório de exemplo antes de fechar. Se a DRE não abre a margem por produto, serviço ou canal, o BPO vai te entregar a média, e a média esconde o que dá prejuízo. O que muda decisão está em [faturamento não é lucro](/blog/faturamento-nao-e-lucro).

Como começa

A resposta para "vale a pena?" sai da primeira conversa: com o faturamento, o volume e a rotina atual na mesa, dá para dizer em qual dos dois casos a sua empresa está. Conte como funciona hoje. Se for cedo, o escritório diz; se for a hora, o diagnóstico define o escopo e o valor antes de qualquer contrato.

Conheça o BPO financeiro da MP Assessoria Contábil em Olímpia

Perguntas frequentes

Vale a pena terceirizar o financeiro da minha empresa?

Vale quando a rotina de pagar, cobrar e conciliar já toma o tempo do dono, quando houve multa ou pagamento duplicado, e quando a empresa fatura sem saber a margem. Não vale quando a operação é pequena, quando não há processo nenhum ainda, ou quando o dono quer terceirizar para não olhar o número.

Qual a diferença entre BPO financeiro e contabilidade?

A contabilidade registra o que aconteceu e cumpre a obrigação com o Fisco: escrituração, balanço, imposto, declarações. O BPO financeiro cuida do dinheiro no presente: contas a pagar e a receber, conciliação, fluxo de caixa e DRE gerencial para o dono decidir. Um não substitui o outro.

BPO financeiro substitui o contador?

Não. O contador continua responsável pela escrituração, pela apuração de impostos e pelas obrigações acessórias, com CRC. O BPO executa a rotina financeira. Quando os dois estão no mesmo escritório, o relatório gerencial e o fiscal batem e o fechamento não atrasa.

Quais são os riscos de terceirizar o financeiro?

Pagamento sem controle, acesso ao banco sem limite e dependência do prestador. Os três se resolvem com alçada de aprovação por escrito, perfil de operador com limite e conciliação mensal que fecha, e dados e sistema em nome da empresa.

Como escolher uma empresa de BPO financeiro?

Peça um relatório de exemplo, a regra de alçada por escrito, o sistema que será usado e como a equipe conversa com a contabilidade. Prefira quem explica o número em reunião mensal. Desconfie de quem promete resultado ou cobra por tabela sem diagnóstico.

BPO financeiro vale a pena para pequenas empresas?

Depende do volume. Empresa pequena com poucas transações costuma resolver com conta separada, pró-labore fixo e um fluxo de caixa de 60 dias. Quando o volume de contas, cartão e cobrança cresce a ponto de tomar o dia do dono, o BPO passa a compensar.

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